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Van Gogh: A Expressão da Alma!

Postado em 02 de setembro de 2019

Este grande artista buscou sempre, com total entrega, expressar seus sentimentos! No início da idade adulta, mesmo amando a Arte como um nobre sentimento que pulsava em sua alma, achou que a vida de um  pastor, como era seu pai   Theodore van Gogh, seria uma finalidade mais elevada, dedicando-se à humanidade, dando-lhe alento e assistência diante da infinita miséria do mundo!

Porem, não era o que estava reservado para ele como missão, e sim revelar as contradições da alma humana, em cores e pinceladas únicas, com irrestrita emoção, através da pintura, tornando-se um dos maiores gênios da Arte!

(Acima: Vincent Van Gogh aos 8 anos)

Vincent Willem van Gogh nasceu em 30 de março de 1853 em Groot Zundert na Bélgica. Herdou de sua mãe tendências artísticas, desenhando desde a adolescência. A origem da ligação da familia Van Gogh com a Arte remonta ao século XVI como comerciante de quadros. Foi aos 16 anos que seu tio Vincent, rico comerciante de quadros,  empregou ele e Theo seu irmão mais novo, dando-lhes a possibilidade de conviver com o que mais amavam: as obras de Arte das Galerias e Museus. A ligação de amor entre estes dois irmãos unidos pela Arte durou toda uma vida, documentada na encantadora obra literária “Cartas a Theo”, documento vivo que mostra a alma  deste Poeta Artista!

Nesta época, Vincent foi para Londres e Paris, nas horas de lazer desenvolvia vários croquis inspirados em seus artistas preferidos. Admirava Millet, principalmente a obra “Angelus”, Breton, Meissoniere e Corot entre outros.

Sua vida foi marcada por decepções amorosas, e na primeira delas deixou seu emprego aos 21 anos, regressando a Amsterdan e ingressando no seminário de Teologia da Universidade. O latim e o grego eram um suplicio para ele, deixou a Universidade e foi ser missionário voluntário em Borinage na Bélgica junto aos mineiros auxiliando-os e compartilhando de suas misérias. “Eu sou amigo do pobre como o era o Senhor Jesus “ dizia emocionado em suas primeiras cartas a Theo. Enviava a ele desenhos, em traços fortes e expressivos, e imagens sombrias dos mineiros, repletas de realidade, junto à angustia e compaixão humana. Nestas primeiras cartas é selada para sempre a união profunda entre eles, e este irmão estará ao seu lado até o fim de sua breve vida. Theo faleceu seis meses após a trágica morte do irmão!

Pouco durou sua vida de missionário; adoeceu de tifo, e ao retornar, o demitiram por suas atitudes radicais. Indignado Vincent começou a viver em absoluta miséria,  trocando  desenhos por um pedaço de pão!

Tornou-se então amigo do pintor Alexandre Raoapard em Bruxelas, que o acolheu por comungarem o mesmo ideal. São desta época os desenhos “Homens e mulheres catadores de carvão”. Em 1880 após mais desilusões amorosas, retornou a Haia onde seu primo o pintor consagrado na época, Anton Mauve, reconheceu o valor de seu trabalho. Em 1882 recebeu a primeira encomenda: 12 pequenas paisagens de Haia em bico de pena e começou a vender também suas aquarelas. Para aprimorar sua perspectiva estudou “Le guide du ABC Desin” e escreve a Theo: “Quero fazer meu quarto mas não consigo dar a profundidade certa” Theo enviou a Vincent o tratado de perspectiva de Lacroix e ele pode fazer a contento suas primeiras mesas e cadeiras e depois o famoso “quarto”.

Voltou para Paris bastante motivado   tornou-se amigo de Toulouse Lautrec: artista pintor e criador de cartazes,  e conviveu com impressionistas que lhes despertaram a paixão pela luz natural. Lá conheceu Père Tanguy: dono de uma loja de materiais de arte em Paris onde os artistas pobres se encontravam e expôs alguns dos seus quadros junto a Seurat, Signac e Pisarro.

Vincent foi então para o sul da França, em Provence em busca da Luz! Instalou-se numa casa amarela, sua cor favorita, pensando em fazer ali uma cooperativa de pintores, sonho antigo! Mas somente Gauguin, homem de gênio irônico, sarcástico e orgulhoso, resolve morar lá com ele. Tinham pontos de vista muito diferentes e o amigo ao anunciar que ia embora desencadeou a grande tragédia: Vincent decapitou sua orelha esquerda e a presenteou a uma prostituta!

Sofreu grande hemorragia e foi internado por Theo no hospital de Arles, diagnosticado com distúrbios mentais. Seu médico, Dr Reys amigo e admirador de seu trabalho o incentivava e Vincent continuou pintando de forma incessante.  Theo conseguira vender seu primeiro quadro:” A parreira vermelha”. Foi a única tela que vendeu em vida! Grande ironia do destino deste gênio cujas obras hoje são vendidas por milhões de dólares!

Foi em um dia frio e tempestuoso de 27 de julho de 1890, onde o mistral soprava sombriamente no milharal dourado, sobre céu pesado de nuvens escuras, onde um bando de corvos agourentos, voavam baixo, que Vincent tentou tirar a sua vida! Tal era a vontade de libertar-se dos sofrimentos da alma. Voltou, quase à morte para seu quarto e esperou serenamente a morte, como libertação, fumando seu cachimbo. Quando Theo chegou ele diz suas últimas palavras: “ A miséria não terminará nunca…”

Theo enlouqueceu com a morte do irmão amado, um não poderia viver sem o outro, e morreu seis meses após! Foi enterrado junto ao túmulo de Vincent em uma linda e humilde aldeia holandesa…

Um conjunto de fatores, na verdade como aspectos patológicos, choques emocionais, carência afetiva e rejeição e precárias condições de existência junto ao alcoolismo, principalmente com absinto, foram a causa de seu sofrimento de alma inquieta, ansiosa e sensível, que de forma pura e intensa se entregou aos mais nobres ideais!

Por sua verdade artística de grande impacto expressivo foi ele o pioneiro de uma arte nova que inspira a todos os artista até hoje como Arte com significado universal!

Períodos e influências:

1880 a 1890 Foram os anos de maior produtividade Primeira fase: Maneira escura (1883 a1886): a obra mais conhecida: “Comedores de batatas” ( ao lado à esquerda) retratando os que lavram a terra em extrema penúria, repletos da tristeza do ser humano diante do destino.  A cena em plena sombra, em tons terrosos, usando betume, tons de negro de ocre e azuis apresentam-se traços possantes e incisivos com golpes curtos e nervosos, característicos de sua obra.

Segunda fase: Maneira clara: A partir de 1886 em Paris a luz começou a despontar em seus quadros como na “Vista de Montmartre” inicialmente com poucos empastamentos e em cores suaves, sempre imperando o amarelo em composição com tons griseos preciosos com notas de violeta, azuis e alaranjados.Van Gogh ia muito além da desmaterialização típica do Impressionismo! Ele realmente estava a frente do seu tempo!

Além de Van Gogh, grandes artistas como Cezanne, Seurat, Bonnard, Lautrec entre outros semearam os caminhos da nova pintura.

Poetas e escritores músicos como Rimbaud, Mallarmé e Debussy seguiram as novas tendências que influenciam até hoje obras literárias e teatrais.

Tal é a força dos verdadeiros Artistas!

Auto retratos e Flores fizeram parte da fase clara na comuna de Arles na França: pomares em flor: pessegueiros e amendoeiras com empastamentos amarelos, tocados de lilás, que prenunciam a fase branca.   como os Helianthus( girassóis) ora com fundo azul rei, ora em amarelo cromo, Van Gogh alcança o máximo de luminosidade, ressaltando pistilos e textura das pétalas, ora com transparências, ora com soberbos empastamentos e densas pinceladas!

Contrastando, de acordo com a sua personalidade radical, também criou obras em cores saturadas e brilhantes, em jogos de complementares e contrastes profundos, em tons azuis, alaranjados vivos e ervas muito verdes em tons puros. Fazem parte desta época os retratos que mostram a alma do retratado em seu contexto psicológico como o do seu amigo o “Carteiro Rollin”  em cores vibrantes e pinceladas em arabescos, e do velho camponês Patience Escalier na colheita ao meio-dia: emanam do personagem tons alaranjados fulgurantes, que entram em vermelhão indo para o amarelo no contorno do chapéu, do rosto e da barba, contrastando contra a cor complementar do azul saturado do céu!

Van Gogh pintou cafés como o “ Le café de soir” em Arles. As noites provençais em azul profundo repletas de estrelas emolduram o terraço e como diz ele em cartas a Theo pg 534: “ Procurei exprimir o café que é um lugar onde alguém se pode arruinar, enlouquecer,  tentei por meio de contrastes, rosas suaves, vermelho cor de borra de vinho e sangue, verde Veronese,  contrastando com verdes amarelos e verdes azuis duros, dar uma atmosfera de fornalha infernal , de enxofre pálido” exprimir como se fosse a força das trevas de um “assommoir”…”*Assommoir: (Nome do sétimo romance de Èmile Zola sobre alcoolismo e pobreza)

Os ciprestes aparecem em vários momentos de sua pintura de Vincent, em movimentos ondulados e livres, em paisagens diurnas e noturnas como poesias vivas!  Mas é na obra prima “Noite Estrelada” atualmente exposta no Museu de Arte Moderna de Nova York, que realmente encontramos o máximo de sentido dinâmico da cor, onde o céu ganha extrema energia entre arabescos que envolvem a lua e as estrelas, entre montanhas e casario em luzes azuis, verdes, com fortes contornos, contrastando com a expansão sem limites do céu; como reflexo de sua alma: limite na matéria, abertura e liberdade na alma.

O cipreste aparece em primeiro plano: hirto, como uma espada, como mãos postas em oração!  Podemos dizer que a qualidade do trabalho artístico em todas as suas obras, tanto no aspecto criativo quanto técnico é genial!

De forma muito particular Van Gogh consegue despertar intensa emoção a todos que contemplam sua obra, interpretando a realidade transitória, transformando-a em eterna poesia através de cores, formas e texturas:  pura emoção, pura paixão!

Grande Artista na Arte e na Alma!

Por Regina Maria Catellani  02/09/2019