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Série: Arte Moderna Parte 2

Postado em 22 de julho de 2019

Flavio de Carvalho

Com uma visão universalista da Arte; complexa e instigante, a vitalidade de Flávio de Carvalho transparece no todo de sua obra, trabalhando e produzindo em várias frentes alem de do desenho e da pintura, onde mais produziu.  Arquiteto, escultor,  escritor, cenógrafo, figurinista e ator, tem muito a ensinar aos estudantes e fruidores da Arte atual multi-midiátical Desenvolveu várias atividades no âmbito artístico e intelectual da época, sempre irreverente e inovadora e provocativa!

Suas palestras e livros sobre arquitetura, estética e psicologia, receberam influência de Darwin, Freud e Níetzche.

Flávio era um homem de contrastes extremos! Sua mente atuava simultaneamente na área de ciências exatas, o que lhe dava visão objetiva e precisa, contrastando com sonhos oníricos, como em seus romances de ficção: em busca da “Deusa branca” do Amazonas, ou ainda, em muitas de suas pinturas de linguagem expressionista mescladas pelo surrealismo.

Art Bruit ou a “arte dos loucos” foi foco de sua pesquisa.

Multimídia: Flávio de Carvalho utilizou materiais novos em seus últimos trabalhos como, por exemplo, tinta fosforescente para luz negra. Animador cultural, irreverente e provocador, é considerado um precursor do artista multimídia. Destacou-se por sua atuação no teatro e por suas performances, que abriram caminho para os novos procedimentos artísticos performáticos  iniciadas  no Brasil, a partir das décadas de 1960 e 1970. Sua personalidade com traços de timidez, mais uma vez contrasta com seus atos de contestação.

Em 1931, seus estudos sobre antropologia e psicanálise o levaram a realizar um  evento intitulado “Experiência nº 2”, em que caminhou com boné na cabeça, de forma desafiadora, em sentido contrário ao de uma procissão de Corpus Christi. O artista quase foi linchado e teve que ser protegido por policiais. Sua intenção era testar os limites de tolerância e a agressividade de uma multidão religiosa. Escreveu um ensaio sobre o assunto, analisando o ocorrido, publicado no livro “Experiência nº 2: uma possível teoria e uma experiência”.

Vestuário: como conclusão de uma série de artigos sobre moda, lançou o famoso traje de verão em 1956 – o “New Look”, especialmente concebido para o homem dos trópicos, com o qual passeou em ruas ”badaladas” na época, descendo a rua Augusta e desfilando no centro de São Paulo seguido por muitos que se interessaram pelo ato inusitado na época! O Traje era composto de uma blusa de manga curta e folgada, um saiote, um chapéu de abas largas, em material  leve, sandálias e meia arrastão. A finalidade do ato foi levar o público à reflexão sobre as convenções sociais. Causou escândalo! Que com certeza, em tempos atuais iria agitar o cenário “fashion” desde que esta é uma definição atual da Moda, como reflexo do mundo referentes aos aspectos sociais e culturais.

(figura acima: Experiência número 3: Lançamento do traje de verão na rua Augusta em 1956)

Teatro: Flávio criou o teatro da Experiência; espetáculo de teatro-dança de sua autoria, com estética inovadora! Intitulado “Bailado do Deus Morto” a trama da dança e do texto são repletas de significado em contestação, de forma sarcástica, celebram o fim do deus (animal e antropológico). Flávio foi autor do texto, encenado por atores em sua maioria negros, criou cenário e figurino de grande expressividade visual, que, junto a iluminação, de forma dinâmica e plástica, impactaram a sociedade cultural da época. Filiou-se às manifestações dadaístas e surrealistas, mas foi o espetáculo foi interceptado pela polícia, e resultou no encerramento das atividades do CAM. Este trabalho espetacular inovou a cena teatral brasileira da época e continua atual até hoje! Tal a visão deste grande artista e pensador genial!

Seu universo especulativo de ação foi é muito enriquecedor! O enfoque das questões referentes aos aspectos: psicológico, antropológico, social, artístico,  biológico entre outros, são sentidos em sua obra sempre impactante!

Arquitetura

Antes de 1930 Flavio ilustrava para a imprensa projetos de monumentos.  Sua primeira exposição foi no Salão Moderno da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1931.

( abaixo: monumento funerário modernista de 1930- modelo em gesso- coleção do Museu da Arte Moderna da Bahia)

Participou de concursos públicos de arquitetura, como para o Palácio do Governo do Estado de São Paulo, em 1927, mas seus projetos foram considerados avançados para a época e foram pioneiros da arquitetura moderna brasileira pois valorava a ciência baseada na imaginação e na Arte. Na arquitetura assim como na arte do design de móveis privilegiou a subjetividade poética, com concepção expressionista, em formas orgânicas que também visavam o bem estar do homem.   Muito a frente do racionalismo  funcional vigente na época, foi incompreendido! Seu projeto, bastante discutido, destacou-se entre os concorrentes, principalmente pelo aspecto monumental do edifício, marcado pela decomposição dos volumes e pela intensidade dramática dos jogos de luzes dos holofotes. Em 1930, participou do Congresso Pan-Americano de Arquitetos com a conferência “A Cidade do Homem Nu”, na qual ressalta a idéia do homem despido dos preconceitos da civilização burguesa, nada mais atual!

A tese tem ampla conexão com o movimento antropofágico. Participou de vários outros concursos, sem ganhar nenhum. Apenas dois de seus projetos são concretizados: o conjunto de casas da alameda Lorena (1936/1938) e a fazenda Capuava (1939) ambos precursores da arquitetura moderna no Brasil. A casa da fazenda é a que melhor sintetiza suas idéias de arquitetura, movida principalmente pela imaginação e correspondente às novas formas de viver e de pensar. Nela, a decoração é tão importante quanto a arquitetura. Sua frente é um trapézio alto; o interior, um grande salão sem divisórias, com cortinas de panos coloridos que dançavam com o vento. Os banheiros e a cozinha revestidos com chapas de alumínio, era material bastante moderno para a época. Havia uma lareira com cúpula de alumínio que soltava fumaça colorida! Nada mais cênico!

(foto acima, à direita, interior da casa da Alameda Lorena e abaixoj à esquerda projeto para o paço municipal e São Paulo)

“A obra de Flávio de Carvalho abre todo um universo novo de experimentação artística, à margem das instituições e das práticas tradicionais. Portanto, devemos dizer que a medida de sua exemplaridade não nos chega atrelada aos resultados concretos da obra – o que também é o caso -, mas muito mais de uma potência criativa que é liberada por uma atuação arriscadamente plural. Por mais caótica que tenha sido essa energia, ela não deve ser desprezada; afinal, seu poder de irradiação ainda não se esgotou. Essa possibilidade de pensar a atitude enquanto forma nos obriga a reavaliar, sem reducionismos, a própria noção de obra e de seus modelos de disseminação dentro de contextos culturais específicos.” Luiz Camillo. Poética em trânsito: Flávio de Carvalho. In:Flávio de Carvalho. SãoPaulo: Cosac & Naify, 2000. p. 10.

(figura acima: aquarela intitulada “Medusa”1946) Extremamente atual!

Podemos concluir que o conjunto da obra de Flávio de Carvalho é de grande importância para os estudiosos das Artes Visuais por seu processo criativo sempre em ebulição; questionando sem reverência e com muita coragem os valores do homem como um todo, através de sua Arte atemporal pela autenticidade em busca do novo e do eterno!

Muito à frente de seu tempo, seu espírito revolucionário permanece na vanguarda! O encanto que nos causa sua obra, reflete os pólos opostos que existem em cada um de nós: une a geometria à imaginação sem limites, a técnica do desenho e da pintura dispostas com liberdade de passear por todos os caminhos que vão muito alem da figura! Um mergulho na forma humana, onde a sensualidade das linhas e das manchas transcendem o desenho do corpo. Na cena teatral o artista plástico, arquiteto e geômetra produziu e conviveu de maneira intensa no mundo da Arte, com expressão dramática, e porque não dizer romântica? Mas sempre revolucionária!

Viva Flávio de Carvalho! Eternamente emocionante e atual!

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R. M. Catellani
Julho 2019