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Série: Arte Moderna Parte 1: Desenho e Pintura

Postado em 15 de julho de 2019

Flavio de Carvalho

O grande artista brasileiro estava muito a frente de seu tempo! Destacou-se no cenário modernista como enfant terrible! De espírito original e inventivo, trouxe para o Brasil da Arte Antropofágica, ao chegar após semana da Arte Moderna de 1922, as novas tendências da pintura dos artistas europeus e latino-americanos da vanguarda  surrealista e expressionista, incorporando-as ao repertório artístico.

Com uma visão universalista da Arte; complexa e instigante, tanto na literatura como na arquitetura e na pintura, a vitalidade de Flávio de Carvalho transparece no todo de sua obra, trabalhando e produzindo em várias frentes como arquiteto, escultor, ilustrador, pintor, desenhista, escritor, cenógrafo, figurinista e ator, tendo muito a nos ensinar!

Desenho e pintura:

O clube dos artistas modernos CAM foi fundado por ele em 1932, junto expoentes da nossa Arte brasileira  como Antonio Gomide, Di Cavalcanti e Carlos Prado. Este espaço era freqüentado pelos artistas inovadores da época, estimulando a vida cultural da cidade de São Paulo. Foi um espaço de criação e de discussão de diferentes áreas, agregando artistas, compositores, escritores e aficionados na Arte como expressão.

Artista de destaque na arte expressionista brasileira no desenho e na pintura,  nascido em Amparo, no estado de São Paulo, teve como primeira formação acadêmica a Engenharia civil na Inglaterra no Armstrong College da Universidade de Durham. Freqüentou nesta época, na década de 1920, o curso noturno de artes da King Edward the Seventh School of Fine Arts e voltou o Brasil em 1923 com muitas idéias que nortearam sua competente criação artística!

Desenho: O desenho sempre foi muito forte na gênese deste artista, dono de grande domínio nas linhas vigorosas e expressivas!  O traço firme da mão do engenheiro arquiteto florescia em plasticidade, movimentando-se no papel como uma bela sinfonia regida por competente maestro! Trabalhou em vários Materiais como carvão, nankim, canetas e crayons.

Entrevistas dadas por ele aos jornais, publicadas em 1928, foram ilustradas com caricaturas com economia de traços. No decorrer de sua carreira desenvolveu vários estudos onde o retrato, por vezes, possuía, por força de sua liberdade expressiva, um tom  quase caricatural. Seus traços repletos de expressividade, com gestual orgânico e perfeita captação da vibração psicológica do personagem, transpiram Arte e estilo muito pessoal, como o retrato a carvão de Maria Kareska 1949

(figura acima à esquerda).

No retrato, do pintor Bonadei ( figura acima à direita) intitulado: “Prisioneiro da Luz, dos Volumes e das Trevas” 1946, as linhas em nankin, explodem em varias direções, retratando de forma vigorosa o clima psicológico do personagem.

A partir da década de 1940 o desenho a carvão evolui cada vez mais em vigorosas linhas de força, com grande domínio dos traços valorizados na gradação de espessura destacando-se a série trágica em 1947, quando registra os momentos da agonia de morte de sua mãe, contrastando a dramaticidade da expressão com traços de extrema delicadeza em desenho a carvão.

Aquarela: Em contraposição ao peso da massa empastada em grossas pinceladas de suas pinturas a óleo, as aquarelas  possuem delicadeza nas transparências de cores únicas. (Abaixo à esquerda “mulher sentada de vestido vermellho 1936)

Nas décadas de 1950 e 1960, pinta nus femininos e masculinos, em nankin e aquarela. (Figura ao lado à direita) intitulada “Homem” .

A partir da década de 1960 dedica-se também à gravura, alem da técnica mista de aquarela e nankin. Até o final de sua vida retratou em várias técnicas e produziu extensa série de nus femininos.

“Flávio de Carvalho é um expressionista, isto é, alguém que procura externar uma visão do mundo observado de dentro, e para tanto capaz de deformar ou reformar a realidade, reinventar cores e desmontar esquemas tradicionais, levado antes pela emoção do que pelo raciocínio. Como pintor – basicamente de figuras, com especial predileção pelo retrato -, usou de absoluta liberdade formal e cromática, indiferente à fidelidade anatômica, à textura das carnes, ao colorido atmosférico: na busca da expressão, fragmentou freqüentemente as partes o corpo humano em dezenas de segmentos cromáticos, que se confundem aos segundos planos de suas pinturas numa ambigüidade deliberada que possui, mais que função decorativa, papel eminentemente expressivo. A cor torna-se livre – cor pictórica, para além da mera referência às cores naturais; e toda a superfície de seus quadros vibra de um ritmo diferente, tornando-se a figura mero pretexto pictórico.” José Roberto Teixeira Leite. In Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.Na sua pintura o ritmo é dado pelas pinceladas densas, exacerbadas. O artista utiliza forte cromatismo e destaca o rosto, para valorizar a carga expressiva da personalidade do retratado.
A intensa vibração colorística, junto a expressiva deformação, com interferências de elementos surreais nos remete a Emile Nolde e Kokoshka como vemos no retrato de Marion Conder Sthceinitz de 1938. (figura acima)

Nos anos 30 a filiação surrealista é vista na pintura a óleo “A inferioridade de Deus” onde a escolha das cores é feita à maneira expressionista refletindo a sensação do significado da cor, com forte carga onírica: ao centro a cabeça definida por traços em cor de rosa apoiada em uma superfície arredondada da qual sai uma grande perna  cujo pé apóia-se em um degrau da escadaria que leva a um ambiente urbano cujo destaque é um enorme lampião à direita que se contrapões a uma forma geométrica em negro.A estrutura da composição harmoniza o movimento, o equilíbrio, o contraste e as cores de maneira intensa e vibrante!

Sua pintura é classificada geralmente como expressionista, embora com aspectos surrealistas. Seus temas mais freqüentes são os retratos, escolha baseada no interesse em captar aspectos emotivos e psicológicos. O artista afirma que “no retrato há um mundo a se descobrir e a aperfeiçoar; não só no que se refere à dialética pura da pintura como no que toca à importância humana do personagem”. Em sua primeira individual em 1934 causou polêmica já preconizando sua postura contestadora, e irreverente que pautou toda a vida artística deste mago da Arte!

Participou ativamente no Brasil e na Europa em várias exposições coletivas e individuais  mas foi premiado pela primeira vez somente na nona bienal de São Paulo em 1967! E Afirmou: “O problema do conjunto de cores nada tem a ver com o assunto em pintura. Um conjunto de cores sem assunto pode ser tão sugestivo, ou mesmo mais, que um conjunto de cores com assunto.”

Os retratos a óleo as obras que mais se destacaram até o final de sua vida e de seu legado, que impactam até hoje o fruidor, como o retrato de Yvone Levy 1954 (figura abaixo).

A liberdade nas idéias e sentimentos viscerais, são vistas em suas telas em vigorosas pinceladas, com especial materialidade, ou em suas expressivas aquarelas em constante movimento de vida e cor! Seus desenhos de traços precisos falam da alma do personagem através de um sem número de linhas esquemáticas, repletas de movimentos que emanam força psíquica em muitas direções, refletindo a essência do que se quer retratar.

A questão onírica está presente em todas as suas obras como que desvendando, mergulhando no inconsciente; nos presenteando com traços, manchas, cores e vibrações do universo expressionista!

 

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R. M. Catellani
Julho 2019