Peças Faladas: Handke e a oralidade nas peças de teatro

Postado em 01 de agosto de 2018

“Vocês não verão nenhum espetáculo. Suas curiosidades não serão satisfeitas. Vocês não verão nenhuma peça. Não haverá nenhuma representação. Vocês verão um espetáculo sem cenas”.

Esta é a proposta trabalhada pelo dramaturgo Peter Handke em Peças Faladas. Com quatro obras de meados dos anos 1960 (Predição, Insulto ao público, Autoacusação e Gritos de socorro). Todas consideradas extremamente vanguardistas por abandonarem completamente o ilusionismo e simbolismo que, na opinião de Handke, impedem que a verdadeira realidade do palco se revele.

Handke propõe um teatro feito apenas de palavras trazidas ao público por seus “oradores” (ele raramente utilizava o termo ator).

“Nós apenas falamos. Nós expressamos. Nós não nos expressamos, exceto a opinião do autor. Nós nos expressamos através da fala. Nossas falas são nossas ações. Através da fala nós nos tornamos teatrais. Nós somos teatrais, porque estamos falando num teatro”.

Vídeo:

Traduzido e lançado em 2015, o livro peças Faladas faz parte do projeto de mestrado do nosso professor e coordenador pedagógico do departamento de Artes Cênicas da Recriarte, Samir Signeu e está disponível para compra no

site da Editora Perspectiva.